BIOQUE MESITO’S POEMS – a desordem das coisas naturais

Há alguns dias o contemporâneo e excelente poeta maranhense Bioque Mesito enviou-me alguns poemas de seu novo [e ainda inédito] livro, “a desordem das coisas naturais”, que agora publico, como a buscar, junto com ele, a fala e olho de quem o recebe, nas possibilidades, incertezas e imprevisibilidades de uma linguagem que nos atravessa, para nos desagregar, despertar, assombrar ou iluminar… De que modo?

[ caudalosa serpente ]

os velhos de São Luís do MAranhão

ranzinza pedra por quem tenho amor
ódio ou coisa igual teus pés desgastados
pelo tempo enlouquecem meus sentidos
víbora de feitiços um dia cairás no mar

antes quero caminhar na rua do giz
saborear o cachorro quente do souza
recordar os becos da casa das tulhas
encontrar nas esquinas sotero vital

muito tenho ainda que viver
dentro de tuas enraizadas moradas
o passado nunca passou

necessito cada vez menos de espelhos
em tuas sagradas ancas meu corpo
depositado um dia no fundo do mar

bioque mesito’s series

aos poetas couto corrêa filho,
sotero vital e sebastião ribeiro

0 – 22
no abandono do sangue
o útero árido de fome
na cantilena sem paz
geme o corpo da mulher
1
a vida é troca
moeda inútil
câmbio do destino
2
eu resumiria nosso romance em poucas linhas
uma borboleta solta do casulo em órbita da lua
3
amigos são psicólogos que sonham
4
o sonho ignora o crepúsculo
neve e flor em música
os dias que partem
5
enquanto a fé não migra
o coração acredita
em migalhas
6
ao mais incrédulo homem
o tempo lhe concebe
uma cruz em seu nome

7
dentro de cada um
deve sorrir um demônio
à procura de espelhos
8
se despia do corpo em carnívoros desejos
na cama sombras projetavam precipícios
orgasmos ao som das molas do colchão
9
não quero rimar xoxota
com chocolate alienar-me
entre pulos e grunhidos
10
estrelas em pares
na solidão da noite
sentem-se ímpares
11
as ancas de uma mulher
me fazem dormir melhor
numa noite de chuva
12
enquanto bambus boiam
um homem desce o rio
a vida segue o sol
13
aos que não se deram
bem no inverno da cama
um minuto de silêncio

14
nos olhos dos meu filhos
poesias cores músicas
a singularidade do caminhar
15
a gente ama quando não se é capaz
de ignorar o café da manhã a novela
o sorriso pelo retrovisor dizendo volta
16
de fato as fadas
não fodem com os príncipes
encantados
17
o nobel ainda
não inventou
o prêmio vilão
18
poemas nos ensinam
o não mensurado
alguns censuram-nos
outros como um tango
19
sentimentos nas nuvens
entre tuas trilhas poeta
cabedal de musas
20
deus é azul
a vida não é
21
toda poesia é um não pensamento

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